[Retalhos de uma História] Lucy

por Ju Najlah


“Da mesma época de Fifi Abdo e até considerada sua rival, foi uma dançarina extraordinária e reconhecida por seus movimentos rigorosos, bonitos e controlados e uma simpatia sem igual. 

Quando pequena, praticava ballet clássico, mas diz que se recorda pouco dessa fase. Inspirada em Tahia Carioca e Sämia Gamal, começou a atuar como atriz, mas em suas atuações Lucy misturava passos de dança e muitos perguntavam se era uma atriz ou uma dançarina. Ela respondia que esta era uma pergunta errada, e dizia que havia algo dentro dela, que não podia ser separado. "A arte é uma totalidade, e não pode ser dividida. O artista, o ator principalmente, deve ser competente em cantar, não o tarab, que é completamente diferente, mas em cantar em ritmo, em movimento... e em dançar, se isto requerer dele", dizia Lucy. "Dançar é minha prioridade. É o que eu nasci fazendo, e logo a dança mais refinada, que é o ballet. Dançar tem que vir primeiramente, depois atuar e então cantar. Eu amo todos os três, me amo em todos os três e, graças a Deus, me realizo em todos o três".

Lucy foi considerada uma alma nova em Alexandria. "A Dançarina de Dança do Ventre e Atriz de Cinema". Foi reconhecida por vários papeis importantes no cinema e deu aulas de dança nos Estados Unidos. Lucy, hoje, dona do Cabaret Parisiana, continua com a mesma simpatia e sorriso encantando seu público eternamente.


Fontes:
* Shokry Mohamed - La Danza Mágica Del Vientre
* Merit Aton - Dança do Ventre, Dança do Coração

Extraído do site de Aysha Almeé”
http://khandara.multiply.com/journal/item/8/8?&show_interstitial=1&u=%2Fjournal%2Fitem, acessado em 28 de agosto de 2012



[Venenum Saltationes] Saturno

por Hölle Carogne



"Saturno. Senhor do tempo, das estruturas, do que permanece e do que é corroído. Planeta de natureza fria e seca. Infértil, escasso, magro. De tempos invernais, em que a vida é mais difícil, é chamado tradicionalmente de Grande Maléfico.

Tudo o que existe na Terra, seja material ou conceitual, pode ser relacionado a um dos 7 planetas tradicionais - na ordem caldeica: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. No nosso corpo, por exemplo, à Saturno são atribuídos os ossos e os dentes; no clima, seria o tempo fechado ou o mormaço; uma árvore saturnina é seca, sem frutos, sem folha, sem vida. Saturno ensina pelo esforço, pela resiliência. Saturno testa nossas bases e o que não for sólido ele destrói. Onde temos esse planeta no nosso mapa natal, enfrentamos dificuldades, também somos mais críticos e sérios. Saturno é o pessimismo e negatividade que trazem o ceticismo muitas vezes necessário pra que não sejamos iludidos. Sim, tudo nesse Universo cumpre uma função, mesmo aquilo que consideramos mais abominável ou difícil. Saturno nos ensina que o Universo é amoral e o destino é implacável, todos temos que lidar com seu peso de chumbo em algum momento. O tempo vai trazer suas lições, amadurecer o que tiver que ser amadurecido, e com sua foice cortar o que tiver que ser cortado, doa a quem doer."
 
Manu - Mercúrio Peregrino


Saturno é o nome do meu projeto de Videodança, em duas partes, realizado em parceria com Alessandro Roos, da Red Fox Filmes.

A ideia de fazer este projeto surgiu da necessidade de trabalhar no corpo os sentimentos advindos do período ou ciclo planetário chamado na astrologia de “Retorno de Saturno”, período este que, para quem tem Saturno em Sagitário, iniciou em 23 de dezembro de 2014 e vai até 20 de dezembro de 2017.

Retorno de Saturno refere-se ao tempo necessário para que o planeta Saturno realize uma volta completa em torno do Sol. Enquanto nosso planeta, a Terra, leva em torno de 365 dias para realizar esta volta, Saturno leva aproximadamente 29 anos terrestres para fazer o mesmo movimento. Acredita-se que quando Saturno completa este ciclo e forma uma conjunção consigo mesmo, ele, o grande maléfico, vem para cobrar aquilo que ainda não foi resolvido em nossas vidas.

“Ninguém está preparado para saber lidar com o peso do tempo. O grande maléfico atropela alguns sonhos e expectativas contrárias ao anseio de viver. Saturno professa a restrição e a solidão. Alguns lidam mais, outros menos. Porém, ninguém vive uma vida sem pisar em alguns cacos.” 
Bárbara Ariola 



"Saturno tem a ver com buracos. Como o da terra, por exemplo, quando a mão ali cavuca para enterrar uma semente.
Saturno também é o buraco do umbigo que um dia, através do cordão, nos uniu a um outro corpo, também unido, um dia, a outro mundo.
A tesoura que corta o cordão umbilical é a foice de Saturno. Saturno ao cortar o condão, cria o tempo, o umbigo e o destino da alma do mundo.
O buraco que um dia abrigará o corpo também é de Saturno.
Saturno vive a 7 palmos do chão.
A caveira com seus vários buracos é de Saturno.
O buraco na estrutura da sua vida é de Saturno.

É negra
É negra
É negra
a sua presença."


João R. Acuio, Saturnália



As filmagens foram feitas nas ruínas do antigo Manicômio de Morungava, Distrito da cidade de Gravataí/RS.

Os registros fotográficos foram feitos pela Martha Buzin. E Gabriela Lando deu suporte em diversos momentos, inclusive me auxiliando com a trança.


A primeira parte das gravações foi feita dentro do manicômio, entre corredores, escadas e salas abandonadas. A segunda parte foi feita em meio à natureza que rodeia o prédio.

A edição ficou por conta do talento do Alessandro Roos, que escolheu cenas, filtros e mesclou poeticamente cada detalhe.

As músicas utilizadas foram carinhosamente escolhidas por mim, tendo como ponto de partida a conexão e a identificação com a proposta da videodança. São elas: Ah Estereh Komh Derah do Treha Sektori; Lascia Ch’io Pianga do Handel, na versão de Tuva Semmingsen; e Firehymn do Bewitched.

Em relação à dança, nada foi coreografado ou pensado. Cada movimento surgiu de forma improvisada e de acordo com o que me fazia sentir o lugar onde dançava.


Algumas ideias de enredo foram planejas por mim antes das filmagens, como por exemplo, a trança em frente ao rosto representando uma máscara/mordaça, o ato de tingir a pele com a cor da densidade, e as cenas com sangue nas mãos.



Algumas ideias surgiram na hora e foram dadas pelo próprio Alessandro, como, por exemplo, a caminha em meio à natureza e a cena onde esfrego sangue no rosto.



O figurino não remetia em quase nada ao Universo Tribal. Não usei acessórios e, pela primeira vez, dancei com a barriga coberta. A ideia era dar um ar mais minimalista para o trabalho. A maquiagem, como de costume, foi extravagante e pesada, para combinar com a cor do chumbo!



No destino há dor, mas também há esperança. É na dor que aprendemos qual é o nosso destino. A dor nos ensina a viver. Devemos respeitá-la e amá-la como algo necessário. Muitos indivíduos não respeitam sua dor, não aprendem nada com ela. Estão sempre se lamentando e maldizendo a vida. Muitos nem ao menos sabem por que sofrem. Acham que a dor é causada pela falta de dinheiro, falta de amor, falta de emprego. Se tentassem entender a dor, tudo seria mais fácil. Perceberiam que ela não é causada pelo mundo, mas é uma dor pessoal causada pela insatisfação, causada pelo desejo de viver, causada pelo desejo de liberdade. Não percebem que é seu destino que reclama dentro de seus corações. Os homens sufocam seu destino e é na dor que o destino grita por socorro. É o destino em nossos corações que reclama à vida.Friedrich Wilhelm Nietzsche



Ruína
"Eu queria construir uma ruína.
Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução.
Minha ideia era fazer uma coisa com jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam.
Porque o abandono não pode ser apenas um homem debaixo da ponte, mas pode ser também um gato no beco ou uma criança presa num cubículo.
O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra.
Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. Digamos a palavra AMOR... A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela.
Queria construir uma ruína para salvar a palavra amor.
Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo."

Manoel de Barros 






Uma situação interessante que aconteceu enquanto filmávamos é que em um dos corredores havia um pano pendurado no teto, que caía amortecido até metade da altura da parede. Eu passaria por ali, caminhando ondulante em direção à câmera, e falei para o Alessandro que iria parar para interagir com o pano. O pano estava sujo. Imundo, pesado e fedido de tempo. Eu parei para dançar com o pano e o que era para ser apenas um minuto esticou-se e tornou-se um tempo diferente. Entrou um vento pelos buracos das ruínas e o pano começou a dançar comigo. Ele ia para lá e para cá, como se respondesse à minha investida. Parece bobo contando, mas a sensação foi incrível. Em alguns momentos tive a impressão de esquecer a filmagem, esquecer as pessoas que estavam comigo, e só pensar no pano como se fosse um corpo. Um corpo igual ao meu, pesado como chumbo, mas que tem seu próprio fluxo. Como diria João Morgado, "um corpo alquebrado, maltratado, castigado, torturado, até que se abra um sulco de arado na alma…". Poucas cenas deste momento foram para a edição final. Mas este momento ficará eternizado em minha mente como uma experiência surreal.



“A multidão é vento. E eu só. Eu, no meu passo. Passo. Eu pó.” Moinhos de Vento

Mesmo se eu tentasse, eu não conseguiria explicar e contar mais sobre o que representa este projeto para mim. É doloroso. Não há palavras minhas que possam contemplar tal sentimento.

Como nos diz Isadora Duncan: “Se eu pudesse explicar o que as coisas significam, não teria a necessidade de dançá-las.”.

Eu aproveito a deixa e agradeço a todos os poetas e escritores que me ajudaram a contar esta história até aqui. Cada trecho contido nesta matéria carrega um significado bem próximo do que o universo Saturno representa para mim!

"Sem perceber, sou envolta por um mal-estar leve, porém prolongado. Não uma depressão, algo mais como um fascínio pela melancolia, que giro na mão como se fosse um pequeno planeta, triscado de sombras, de um azul impossível." Patti Smith 


Agradeço a todos os que leram até aqui.
Obrigada por acompanharem meus experimentos!

Canção Mística (Fragmento)
"No mistério do jardim
Equilibra-se uma borboletra
E, na borboletra, um jasmim,
E, no jasmim, um poeta,
No poeta um planeta..."


(Cris de Souza)






Confira as Videodanças:


Teaser: 




Saturno - Parte I:




Saturno – Parte II: 




Confira todas as fotos:

Conheça a Red Fox Filmes:
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCcxo2MDY11HBC8IOekrpX7w/videos



[Resenhando – SP] Hafla Tribal

por Irene Patelli 

No dia quatro de fevereiro deste ano, aconteceu o Hafla Tribal em Jundiaí/SP, organizado pela professora Melissa Souza no Mausoléu Pub, que contou com flash tattoo, workshop de tribal fusion, mostra de danças e jam session jazz & blues.

A entrada do Mausoléu Pub fica ao lado do estúdio de tatuagem, para quem for nas próximas, é um corredor que dá acesso a um local simples mas muito aconchegante, com pessoas super atenciosas e solícitas como a Carla Mirela, dona do local. O ambiente é muito interessante, meio vintage, com quadros de variados estilos que prendem a atenção.



            O tempo todo rolou lanche natural, lanche vegetariano, bolos e biscoitos que estavam deliciosos e leves e bebida para todo gosto, contando inclusive com hidromel.

O flash tattoo ficou lotado o tempo todo, várias tatuagens lindas. O tatuador Boka não parou um minuto.


O workshop “Comunicação e Improviso – ITS” com a Dayeah Khalil, bailarina, ATS® sister studio, professora, derbakista, etc, foi muito bom. Muitas técnicas importantes, tanto para iniciantes que passam a compreender melhor algumas técnicas de aula, quanto para professores que podem usar essas técnicas em suas aulas, aprimorando o trabalho em grupo. Tudo passado de forma muito didática e divertida. Foram três horas que passaram voando, deixando o gostinho de quero mais.

Os ateliês Khardi, da Ana Dinardi de São Paulo, e Lehonora, da Lenice de Campinas, estiveram presentes com peças lindas, exclusivas e atendimento personalizado.


  
Depois tivemos mostra de dança com muita energia boa e estilos diferentes. Foram solos, duplas, grupos, cada uma com seu encanto e magia própria, foi muito gostoso ver alunos e professores como iguais, não havia competição, apenas um encontro entre pessoas da mesma tribo.

Houve até uma linda coreografia em forma de homenagem que comoveu a todos, culminando em um “montinho de abraços”.



 No meio da mostra foi feito um improviso pelo pessoal que participou do workshop, onde foram colocadas as técnicas a prova e foi muito emocionante ver todas aquelas técnicas funcionando juntas. Até algumas pessoas que não fizeram o workshop acabaram participando e tudo fluiu como se houvessem ensaiado.

            O evento todo procedeu muito bem, foi bem planejado e organizado, não dava vontade de ir embora, eu como participante gostei de tudo, não tenho reclamações nenhumas, para mim, só faltou um bodypiercer.

Fiquei encantada quando, antes da banda e depois da mostra, pude escolher vinil para tocar e só haviam clássicos. 


            Após a mostra de dança, houve a jam session jazz & blues com a banda Vespêro Blues que, infelizmente, vi poucos minutos, pois tive que ir embora. Mas o pouco que vi estava ótimo. Espero poder vê-los novamente.



Mais fotos do evento no link abaixo:
  

Referências

Felipe Lima (fotógrafo oficial)

Melissa Souza (organização do Hafla Tribal)

Mausoléu Pub (local do evento)

Dayeah Khalil (ministrante do workshop)

Khardi Atelier Tribal

Lehonora Tribal Acessórios Personalizados

Sabbats TattooArt

Banda Vespêro Blues









Sobre a autora do Resenhando desse mês:
Técnica em dança pela Etec de Artes - SP
Coreógrafa, bailarina/dançarina, performer, professora de 
gothic bellydance, tribal fusion e dark fusion.



[ Entrando na Roda] Apropriação cultural e o ATS®

por Natália Espinosa

Este artigo foi escrito em sua totalidade por Natália Espinosa e de forma alguma reflete as opiniões de Aerith Asgard e Aline Muhana.

Maria Fomina, da Ucrânia, utilizando traje de ATS® com diversos elementos étnicos.

Um assunto que tem estado muito em voga ultimamente (ainda bem) é a questão da apropriação cultural. O que seria apropriação cultural? Basicamente, trata-se de uma cultura privilegiada utilizar elementos de culturas de povos oprimidos sem imprimir a eles o devido significado e sem sofrer as represálias e preconceitos sofridos por quem é oprimido. Alguns exemplos bem conhecidos do tribal seriam o uso de dreads e turbantes tranquilamente por pessoas brancas como acessórios de moda, sendo que quando os mesmos são utilizados por pessoas negras levam a uma interpretação pejorativa.


Quando consideramos o dress code do ATS® e até mesmo do tribal fusion e da dança do ventre praticada no Bal Anat, é inevitável nos depararmos com essa questão. Turbante, choli, jóias étnicas, bindis, harquus (aquelas tatuagens faciais que fazemos com delineador ou lápis de olho, muitas vezes sem nem conhecer o significado daqueles símbolos) e até mesmo os dreads são parte de nosso dia-a-dia e a grande maioria das bailarinas, tanto aqui quanto no exterior, são brancas ou lidas como brancas na sociedade em que estão inseridas, ou seja, são pessoas que não sofrem preconceitos devido à percepção do que seria sua “raça”. Nos EUA, onde essas fronteiras são bem delimitadas, essa questão tem sido bastante abordada pelas dançarinas de Tribal Fusion. Kami Liddle puxou essa discussão em seu facebook no ano passado, e muita gente (inclusive eu) participou do debate. Algumas bailarinas escolheram não utilizar mais alguns elementos étnicos em seu vestuário e houve até quem escolhesse não dizer mais que faz dança tribal por crer que essa nomenclatura seria desrespeitosa aos nativos norte-americanos, coisa com a qual eu, Natália Espinosa, discordo completamente. Mas vamos voltar ao ATS®.

O nome American Tribal Style, Estilo Tribal Americano, já está registrado e até agora não há nenhum tipo de esforço no sentido de alterar o nome. As praticantes do estilo nos EUA, brancas ou não, não parecem se engajar muito nessa discussão – pelo menos não na internet. Talvez seja por causa se alguns fatores que eu gostaria de enumerar aqui:

  1. O dress code do ATS® não representa nenhum povo específico – como mistura elementos de diversas culturas, não constitui uma fantasia, um estereótipo de nada. A imagem que associam ao nosso dress code é apenas, talvez, a de uma dançarina de ATS® 😊
  2. Embora Jamila Salimpour, Masha Archer e Carolena Nericcio-Bohlman sejam brancas, o ATS não é uma dança das maiorias privilegiadas. É uma dança inclusiva, realizada por mulheres e, mais recentemente, também por homens de diversas etnias e na qual a tolerância e aceitação são estimuladas. A própria história do ATS® está ligada à necessidade de uma dança do ventre que abraçasse as mulheres fora do padrão.
  3. Nenhum dos elementos do dress code é utilizado levianamente. A ideia de Masha Archer, ao definir o figurino que viria se tornar o dress code do ATS®, era devolver a dança às mulheres, destacar o ventre sem erotizar a bailarina e proporcionar um ar régio e confiante. Masha buscou re-significar elementos étnicos, sem esvaziá-los de importância ou apagar sua relevância em sua cultura original.


A própria dança do ventre poderia ser considerada apropriação cultural, se vista por esse prisma. O que é realizado no ocidente com esse nome é, na verdade, uma amálgama de diversas danças com propósitos e significados diversos, muitas vezes desconhecidos das dançarinas ocidentais. Deveríamos então parar de dançar dança do ventre ou tribal?

Minha opinião é a de que não podemos limitar a arte e sua evolução. Com o acesso à internet e a globalização, isso se tornou, arrisco dizer, impossível. Em relação ao ATS® e tribal fusion, temos que ter em mente que são danças ocidentais com influências étnicas, e não são originalmente de nenhuma cultura de minoridades. Utilizamos seus elementos, mas a maior parte de nós o faz com respeito e busca estudar de onde vem, sua história, seu significado. Por isso o estudo teórico se faz tão importante, para que não haja um esvaziamento de culturas tão ricas e para que nosso contato com esses povos através de tais elementos aumente o respeito e colabore para, de alguma forma, diminuir a opressão e o preconceito que sofrem.

Outras leituras relacionadas:



Entrevista #43: Raphaella Lua | PARTE 1 (Double Version)

por Aerith


Nossa primeira entrevistada de 2017 é a bailarina norte-americana Raphaella Lua. Raphaella, que também é conhecida pelos sobrenomes "Peting" ou " De La Fuente", já morou no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, por 4 anos. Ela nos conta sobre sua trajetória e suas opiniões referentes à dança tribal realizada no Brasil e nos EUA. Para maior aproveitamento, esta entrevista foi dividida em duas partes . Boa leitura!

BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você? | Tell us about your career in bellydance / tribal. How it all started for you? 
Não foi até o meu primeiro ano na faculdade em Purdue University em 2004 que eu encontrei minha fome pra Dança do Ventre... literalmente.  Eu sei que a maioria de dançarinos têm alguma história romântica sobre como se apaixonaram pela dança do ventre. Minha história, no entanto, é um pouco cômica.  

Uma noite, eu estava andando através de um dos edifícios da universidade quando eu vi um cartaz que dizia: "Mirage Belly Dancer Call-Out - FREE Pizza".  Porque eu era uma estudante pobre que não tinha comido naquela noite; eu corri diretamente para comer o alimento gratuito.  Quando entrei, eu estava tão cativado pelo que eu vi que eu quase esqueci de comer a minha pizza.  Então, tecnicamente ... minha barriga me levou à dança do ventre. Alguns meses depois, minha instrutora me apresentou ao Tribal Fusion, e foi amor à primeira vista. Eu não poderia explicar como, mas eu sabia que esta forma de arte seria um fator importante para o resto da minha vida.

It wasn’t until my first year in college at Purdue University in 2004 that I found my hunger for belly dance... quite literally in fact.  As I’m sure most dancers have some romantic story about how they fell in love with belly dance, mine is actually a bit funny. 

I was wondering through the halls of one of the buildings of the University one night when I saw a sign that said, “Mirage Belly Dancer Call Out – Free Pizza”.   A broke college student who hadn’t eaten that night, I ran right in to get the free food, but was so blown away by what I saw when I entered the room that I almost forgot to eat my pizza.  So technically... my belly led me to belly dance.   After that, I was hooked.  

A few months later, my instructor had introduced me to Tribal Fusion, and it was love at first sight.  I couldn’t explain how, but I knew that this particular art form would be a major factor in my life for the rest of my life.

BLOG: Quais foram as professoras que mais marcaram no seu aprendizado e por quê? | What were the teachers that had the greatest impact on your dance education and why?
Os instrutores que tiveram o impacto mais profundo na minha vida são Donna Mejia, que me desafia improvisadamente; Mira Betz que me desafia coreograficamente e minha mãe de dança do ventre, Amirah (também um membro de Il Troubadore) que me ensinou a importância da mecânica muscular envolvidos em cada movimento, vendo o corpo como um organismo complexo, indo além de "belos movimentos". Isto é provavelmente devido ao fato de que ela tem um Phd em Física.  Sou grata a ela por enfatizar a importância da formação de professores, demonstrando-me como ser um instrutor eficaz, o que significa ser um educador e a responsabilidade que isso implica.  

Como instrutor, você está ensinando as futuras gerações de dançarinas do ventre. E, com isso, você pode causar grande dano ou grande bem. Eu sou tão grata que eu tive a sorte de tê-la como minha mãe de dança do ventre.  Desejo que todos possam receber o benefício de ter um professor de Física como seu primeiro instrutor de dança porque o tom que define para o resto de sua carreira é profundo.

The instructors that have made the most profound impact on my life are Donna Mejia who challenges me improvisationally, Mira Betz who challenges me choreographically and my belly dance mama, Amirah (also a member of Il Troubadore) who taught me the importance of the muscular mechanics behind every movement, viewing the body as a complex organism, going way beyond “pretty movements”.  This is probably due to the fact that she is a doctoral professor in Physics.  I am also grateful to her for stressing the importance of teacher training and showing me not only how to be an effective instructor, but what it MEANS to be an educator and the responsibility that comes with it. 

You are teaching future generations of belly dancers.  And with that, you can either do great harm or great good.  I am so grateful that I was able to have her as my belly dance mama.  I wish everyone could receive the benefit of having a Physics professor as their first belly dance instructor as the tone it sets for the rest of your career is life-changing.




BLOG: Além da dança tribal você já fez ou faz mais algum tipo de dança? Há quanto tempo? | In addition to Tribal, have you done or currently do additional styles of dance? For how long?
Sim, com a idade de 5 anos eu fui colocado em aulas de ballet pela minha mãe como uma maneira de lidar com o meu excesso de energia. Ela não sabia o que fazer comigo. Pouco ela sabia o que estava por vir. Ballet é onde a importância do trabalho duro, disciplina e técnica adequada foram enraizados na fibra do meu ser.  Meu treinamento em ballet continuou por mais 10 anos até a idade de 15 anos, quando eu escolhi para tomar um breve adiamento por causa das obrigações da escola e trabalho. No entanto, o adiamento da dança foi curto, quando com a idade de 16 anos eu fui introduzida ao mundo do International Style Latin Ballroom Dance.  Esta é uma forma de dança que eu continuo a treinar.

Fora do ambiente educacional de dança formal, era minha paixão e habilidade natural para Hip Hop, Popping e Breakdance.  Minha treinamento neste gênero ocorreu na escola das ruas de Chicago, onde eu iria participar de batalhas de dança e alguns dos dançarinos que viram o potencial em mim me levou sob a sua asa para me ensinar o que eles sabiam.

Yes, at the age of 5 years old I was placed into ballet classes by my mother as a way to deal with my excess of energy. She didn’t know what to do with me.  Little did she know what was to come.  Ballet is where the importance of hard work, discipline and proper technique were ingrained into the fiber of my being.  My training in ballet continued for an additional 10 years until the age of 15 when I chose to take a brief reprieve due to a surge in academic and work obligations.  The break from dance was shortly lived however, when at the age of 16 I was introduced to the world of International Style Latin Ballroom Dance.  This is a dance form I continue to train in currently.  

Outside of the formal dance educational setting, was my passion and natural ability for Hip Hop, Popping and Breakdance.  My training in this particular dance form took place in the school of the streets of Chicago where I would jump into dance battles every now and then, and a few of the dancers who saw the potential in me took me under their wing. 

BLOG: Quais foram suas primeiras inspirações? Quais suas atuais inspirações? | Who were your early inspirations? Who are your current inspirations?
Os artistas de Tribal Fusion que me inspiraram no início foram Amy Sigil & UNMATA e Sharon Kihara. Hoje, encontro inspiração com Edenia Archuleta, Violet Scrap, Illan Riviere e Piny Orchidaceae.

Também me inspiro em artistas dos gêneros tradicionais da dança do ventre, como Darina Konstantinova, Dariya Mitskevich Didem e Oxana Bazaeva; e dançarinos da comunidade Hip Hop, incluindo Keone Madrid, Phillip 'Pacman' Chbeeb, Chris Martin e Koharu Sugawara.

The Tribal Fusion artists who inspired me early on were Amy Sigil & UNMATA and Sharon Kihara.  Today, I find inspiration with Edenia Archuleta, Violet Scrap, Illan Riviere and Piny Orchidaceae.  

I also draw inspiration from artists in the traditional genres of belly dance such as Darina Konstantinova, Dariya Mitskevich Didem and Oxana Bazaeva, as well as dancers from the Hip Hop community including Keone Madrid, Phillip 'Pacman' Chbeeb, Chris Martin and Koharu Sugawara. 

BLOG: O que a dança acrescentou em sua vida? | What has dance added to your life?
A dança tem feito mais do que simplesmente ter sido adicionado à minha vida. Transformou-a, me deu propósito e refúgio. Porque eu tenho lidado com um caso grave de transtorno de ansiedade social na maior parte da minha vida, a dança tem agido como um mecanismo de enfrentamento; uma maneira de combater o stress da desordem.  Mas, para além dos benefícios medicinais, a dança é para mim uma forma de me sentir conectado ao mundo.  Quando entrelaçada entre a música e a doce energia do movimento, estou vivo; imerso em um sentimento de alívio e revitalização que só poderia ser descrito como um estado meditativo.

Dance has done more than simply added to my life.  It has TRANSFORMED it, given me purpose and provided me refuge.  As I have been dealing with a severe case of Social Anxiety Disorder the majority of my life, dance has acted as a much-needed coping mechanism as a means of combating the stresses of the disorder.  But aside from medicinal purposes, dance is to me, a way to feel connected to the world around me.  When intertwined between the music and the sweet energy of the movement, I am alive; immersed in a feeling of relief and revitalization that could only be described as a meditative state.  



BLOG: O quê você mais aprecia nesta arte? | What do you appreciate most about this art form?
O que eu aprecio mais sobre o Tribal Fusion é que ele é aberto. Nós, artistas de Tribal Fusion, temos mais liberdade em relação à capacidade de assumir riscos criativamente versus a maioria dos outros gêneros na dança do ventre que se encontram policiados ou criticados em uma base mais contínua, o que pode lhes causar o sentimento de maior restrição ou   pressão para ficar dentro da caixa.

Devido ao fato de que temos a liberdade de um gênero mais aberto, temos o privilégio de ver a evolução deste gênero particular evoluir a um ritmo mais rápido do que as formas mais tradicionais.

What I appreciate the most about Tribal Fusion is that it is open-ended.  I feel as though we as Tribal Fusion artists have more freedom in regard to the ability take risks creatively versus a majority of the other genres in belly dance that find themselves being policed or scrutinized on a more continual basis, which may lead them to feel more restricted or pressure to stay inside the box.   

Because we have the freedom or safety net of a more open-ended genre, we get the privilege of seeing the evolution of this particular genre evolve at a more rapid pace than the more traditional forms.

BLOG: O quê prejudica a dança do ventre e como melhorar essa situação? Você acha que o tribal está livre disso? | What unfortunate situations affect the belly dance community and how could the situation improve? Do you think the tribal community is free of it?
Nos últimos 3 - 4 anos, parece que nós entramos no fenômeno de "Onde todos os alunos foram?", particularmente, dentro da comunidade de Tribal Fusion.  Parece que dançarinos de nível intermediário e avançado esqueceram a importância do treinamento semanal da aula. Em vez disso, eles decidem participar do workshop ocasional.  Como resultado, os estúdios estão fechando e a quantidade de instrutores qualificados parecem estar desaparecendo. Os dias de aulas cheias de 20-30 estudantes se foram.

Hoje, a maioria dos instrutores têm sorte se tiverem mais de 5 alunos em uma classe Tribal Fusion ou Fusion. A menos que haja uma oportunidade de apresentação se aproximando. Esta tendência infeliz é desanimadora como um instrutor como a maioria de estudantes não podem realizar a quantidade de trabalho e de detalhe que é envolvida em preparar para cada aula.

Assim, no final do dia, muitos professores são confrontados com a escolha de:

a) Mudar para ensinando workshops exclusivamente; ou
b) "Selling out", promoção de aulas de dança do ventre para o público em geral como a "próxima coisa nova" em fitness.

A única maneira de melhorar a situação é para estes dançarinos perceber a importância do treinamento semanal em aula, e que oficinas e intensivos são apenas uma adição ou aprimoramento de suas aulas semanais com um instrutor regular e não a única fonte de sua educação de dança.

Exatamente como efetuar isso é um mistério que ainda estou tentando resolver.

Within the last 3-4 years, it seems as though we’ve entered the phenomenon of “Where have all the students gone?”  Particularly within the Tribal Fusion community.  It seems advanced and intermediate level dancers have forgotten the importance of weekly class training and decide to forego it, instead attending the occasional workshop every few months.  As a result, studio after studio is closing and the amount of high caliber teachers seem to be disappearing.   The days of classes filled with 20-30 students are gone.  Today, instructors are lucky to see more than 5 students in a Tribal Fusion or Fusion class.  Unless, of course, there is a performance opportunity approaching.  This unfortunate trend is quite disheartening as an instructor as most students may not realize the amount of work and detail that goes into preparing for each class.  

At the end of the day, many teachers are faced with the choice of: 
a) Switch to teaching workshops exclusively, giving up weekly classes or 
b) Selling out.  Giving up on the dance crowd and marketing belly dance classes
towards the general public as the “next new thing”  in fitness.

The only way to improve the situation is for these dancers to wake up and realize the importance of weekly class training, and that workshops and intensives are an addition or enhancement to their weekly classes with a regular instructor and NOT the sole source of their dance education.  

Exactly how to accomplish that is a mystery I’m still trying to solve.   

BLOG: Você já sofreu preconceitos na dança do ventre ou no tribal? Como foi isso? | Have you suffered prejudice in belly dance or tribal? How was that?
Dentro da comunidade de dança: Como uma dançarina que tende a gravitar em direção ao gênero Hip Hop Fusion, muitas vezes eu recebi críticas (especialmente no início) por dançarinos dos estilos mais tradicionais de dança do ventre e alguns dançarinos bem conhecidos dentro da comunidade Tribal que o que eu faço "não é dança do ventre".

Embora no início eu achei que isso era bastante frustrante, sentindo a necessidade constante de provar a mim mesma, a fim de defender minha forma de arte, eu finalmente aprendi a não me importar em agradar os outros com a minha arte. Quando você pára de cuidar do que os outros pensam sobre você, é só então que você é verdadeiramente livre para criar.

Público: Quando se trata do público em geral, particularmente dentro da cultura ocidental, o mais proeminente é continuando a lutar contra a ideia preconcebida de que dançarinas do ventre são dançarinas exóticos.  Pessoalmente, eu não acredito que há algo de errado com aqueles que escolhem a dança exótica como sua ocupação. No entanto, a dança do ventre é um animal completamente diferente. Há uma história, uma cultura rica e vasta atrás da dança oriental. Por isso, agrava-me muito quando indivíduos ignorantes agrupam os dois como idêntico.

Within dance community: As a dancer who tends to gravitate towards the Hip Hop Fusion genre, I often have been criticized (especially in the beginning) by fellow dancers from the more traditional styles of belly dance and even a select few well-known dancers within the Tribal community that what I do “isn’t belly dance”.   Although at first I found this to be quite frustrating, feeling the need to constantly have to prove myself in order to defend my art form, I eventually learned not to care about pleasing others with my art.   When you stop caring what others think about you, only then are you truly free to create.

General Public: When it comes to the general public, particularly within the Western culture, the most prominent would be continuing to fight against the preconceived notion that belly dancers are strippers or exotic dancers.  I personally don’t believe that there is anything wrong with those who choose exotic dance as their occupation.  However, belly dance is a completely different animal.  There is a history, a rich and vast culture behind oriental dance.  Therefore it highly aggravates me when ignorant individuals lump the two together. 

BLOG: Houve alguma indignação ou frustração durante seu percurso na dança? | Has there been any anger and frustration during your journey in dance?
O obstáculo mais substancial que eu tive que superar até agora na minha carreira de dança é definitivamente o efeito que a gravidez teve em meu corpo, vigor criativo e clareza mental.  Lutando para empurrar para a frente e continuar a ensinar aulas semanais, workshops, coreografias de grupo e executar durante este tempo tem sido uma tarefa assustadora.  Especialmente considerando que eu estava tentando isso no mesmo ritmo que eu tinha usado para os últimos 15 anos. O que eu estava pensando?!

A avalanche de mudanças que o corpo e a mente suportam durante a gravidez é simplesmente incrível.  Esse fogo, a fonte de energia que costumava exuberar do meu núcleo, escorrendo pelos meus poros sempre que eu dançava parecia que se dissipava abruptamente no ar.

Esse canal estava bloqueado. Em um instante, havia algo mais lá tomando seu lugar e estava desviando todos os meus recursos e energia. Isso ocorreu porque toda minha criatividade, minha força vital, está sendo redirecionada para fazer esta bela vida humana. Embora cheio de imensa gratidão, eu não tinha antecipado o sentimento de estar perdido, não me sentindo como "eu mesmo". Perguntei-me "Onde é que 'eu' fui e quando 'eu' estaria de volta?".  Não só não tenho a mesma sensação que eu costumava obter quando eu dançava, mas meu estilo pessoal estava mudando também.

Eu também encontrei uma sensação de abandono, observando muitos dos meus colegas trabalhando em projetos incríveis, enquanto eu senti como eu estava regredindo com cada dia que passava devido ao fato de que eu mal posso sair da cama por causa da náusea e fadiga severa.  Quebrou meu coração, porque embora a minha paixão e resistência para a dança teve um pulso fraco naquele momento por causa das dificuldades da gravidez, o meu desejo de sucesso ainda estava muito vivo. Eu encontrei-me constantemente proferindo a frase, "Você SABE que você é melhor do que isso." Somente, "eu" não estava lá.

Mas, independentemente de tudo isso, este pequeno anjo vale tudo e estou animado para finalmente conhecê-lo. Eu também estou interessado em descobrir quando, ou melhor ainda, QUEM eu vou voltar como.  Alguém só pode esperar que vai ser melhor, mais rápido e brilhar mais brilhante do que nunca, muito parecido com a fênix com sua plumagem ardente.

The most substantial hurdle I have had to overcome thus far in my dance career is most definitely the effect pregnancy has had on my body, creative stamina and mental clarity.   Struggling to push forward and continue to teach weekly classes, workshops, choreograph group pieces and perform during this time has been a daunting task.  Especially considering I was attempting this at the same pace I’d been used to for the last 15 years.  What was I thinking?! 

The avalanche of changes the body and mind endure throughout pregnancy is just incredible.  That fire, the source of energy that had once exuberated from my core, seeping out through my pores whenever I dance felt as though it had abruptly dissipated into thin air. That channel was blocked.  All of a sudden, there is something else there taking its place and it has diverted all of my resources and energy. It is because all of my creativity, my life force, is being redirected to make this beautiful human life.  Though filled with immense gratitude, I hadn’t anticipated the accompanying feeling of being lost, not feeling like “myself”; wondering, “Where did ‘I’ go and when would ‘I’ be back?”.   Not only did I not have the same feeling that I used to get when I danced, but my personal style was changing as well.  

I also encountered a sense of feeling left behind, watching many of my colleagues working on amazing projects while I feel as though I’m regressing with each passing day due to the fact that I can barely get out of bed from the severe nausea and fatigue, and it broke my heart because although my passion and stamina for dance barely had a pulse at that moment due to the difficulties of the pregnancy, my desire to succeed was still very much alive.  I found myself constantly uttering the phrase, “ You KNOW you're better than this.” Only, “I” wasn’t there. 

But regardless of all of it, this little guy is worth it and I can't wait to meet him.  I'm also interested to see when, or better yet, WHO I will be returning as.  One can only hope it's going to be better, faster and shine brighter than ever before, much like the Pheonix with its fiery plumage.  


BLOG: E conquistas? Fale um pouco sobre elas. | And achievements? Tell us about them.

1) Um dos pioneiros do movimento Hip Hop Fusion na região sudoeste dos EUA, trazendo as ruas de Chicago para o sul;

2) Aprender a ensinar em outra língua em um curto espaço de tempo e construir minha carreira de dança em outro país, enquanto continuo construindo e mantendo minha marca nos EUA;

3) Trabalhar com Mira Betz em sua peça de grupo em 2015;

4) Trazer April Rose e UNMATA ITS para o Brasil pela primeira vez.

1) One of the pioneers of the Hip Hop Fusion movement in the Southwest region of the US, bringing the streets of Chicago to the South;

2) Learning to teach in another language in a short amount of time and building my dance career in another country, while continuing to building and maintain my brand in the US;

3) Working with Mira Betz on her group piece in 2015;

4) Bringing April and UNMATA ITS to Brazil for the first time.


BLOG: Conte-nos um pouco sobre suas principais coreografias. O quê a inspirou para a formulação da parte conceitual e técnica das mesmas, assim como seus processos de elaboração dos figurinos e maquiagens. Como essas coreografias repercutiram na cena tribal? | Tell us a little about your principal choreographies. What inspired the concept and technical portions, as well as the preparation processes of the costumes and makeup. How did these choreographies affect the tribal scene?

1) “The Journey” (2015 –  3rd Coast Tribal Fest // Tribal Fest)


Eu desenvolvi essa coreografia como um meio catártico para descrever uma longa e árdua jornada emocional de auto-descoberta para superar e trabalhar através de muitos anos de trauma físico e emocional do início da minha vida.  Então, eu decidi compartilhar esta peça como uma entrada de diário público em meu processo de cura pessoal, traduzido em coreografia e permitindo-me compartilhar com nossa família de dança tribal a viagem emocional que eu tinha embarcado ao longo dos últimos anos.  Uma viagem de auto-descoberta, começando a entender e abraçar quem eu sou como ser humano, meu valor e meu propósito neste universo, e começar a curar essas cicatrizes emocionais.

Em relação ao figurino, desenhei o desenho, que foi fortemente inspirado pelo meu tempo no Brasil e seus recursos naturais, mas a talentosa Aline Muhana (Nataraja Designs) trouxe à vida.

O impacto dessa peça teve 2 efeitos. O primeiro foi um crescimento no interesse em Hip Hop Fusion e outros dançarinos inspirados para criar formas mais experimentais com seus corpos no trabalho de chão. E a segunda, mais profundo para mim, foi que a coreografia incentivou outros dançarinos a compartilharem suas histórias sobre a cura de abusos passados.

2) “Borg Queen”  (2016 – 3rd Coast Tribal Fest)

Embora esta tenha sido uma das coreografias mais significativas e poderosas que eu criei, a coreografia Borg Queen foi desenvolvida em um curto período de tempo. Originalmente, eu preparei uma peça mais dinâmica (estilização), de Fusão Contemporânea com um monte de trabalho de chão e elementos de acro para este Festival.  No entanto, apenas 7 semanas antes do evento, eu sofria de uma gravidez ectópica que foi despercebida e eu fui forçado a fazer cirurgia de emergência. Eu quase morri devido a um sangramento interno prolongado depois de uma das minhas Trompas de Falópio ter rompido por causa da negligência do médico.

(Nota: Mulheres, VOCÊS conhecem seu corpo. Se você acha que algo está errado, mas o médico continua a dizer-o "vamos esperar e ver", NÃO ESCUTA ELES.)

Depois de 4 semanas de intensa dor física e emocional (da qual ainda estou recuperando), eu me forcei a voltar ao estúdio e começar a criar. Com uma mobilidade muito limitada, eu tinha apenas 3 semanas para preparar uma peça inteiramente nova. Mas eu realizei,  que outra criatura tem mobilidade limitada? Um robô!  Mais uma vez, Hip Hop Fusion e um personagem que eu estava querendo trazer à vida por muitos anos salvou o dia. No momento em que decidi o que ia fazer, a coreografia começou a se escrever. Eu estava tão grata por estar viva que eu não me preocupei com os detalhes minúsculos e questionar um monte de escolhas criativas como eu faço em uma base regular. Eu simplesmente confiei na minha intuição.  A agitação emocional que eu estava passando no momento de perder meu "amendoim" depois de 2 anos tentando conceber me permitiu liberar completamente minhas inibições e ser livre.  A capacidade de assumir um personagem completamente diferente no palco era uma dádiva de Deus e me manteve indo, dando-me o que eu precisava para fazer o trabalho até que eu pudesse voltar para casa e lamentar adequadamente a perda.  Levei um ano, mas eu sou finalmente capaz de compartilhar essa dor na esperança de que ele pode dar algum conforto para quem está passando por algo semelhante.

O impacto que ele fez no público foi esmagadora para mim. Eu tinha recebido minha primeira ovação de pé de uma casa cheia. Como é estranho pensar que eu estava no hospital há apenas algumas semanas antes. Você nunca saberia. Fiquei em segredo de todos. Simplesmente entreguei-me ao personagem. A peça fez tal impressão que, um ano depois, as pessoas ainda se referem a mim como a Rainha Borg. Eu acho que é verdade o que eles dizem, "De grande dor vem grande arte."

Este figurino foi feito igualmente por Aline Muhana (projetos de Nataraja). Ela é minha figurinista preferida. E como você pode ver de minha coleção de figurinos, ela pode fazer mais do que apenas ATS vestuário. Se você pode sonhar, ela pode torná-lo uma realidade! Eu absolutamente adoro o trabalho dela!  O metal e tubo de plástico para o head piece foi construído por mim, e a maquiagem foi completada por um artista pintura corporal Rudy Zanzibar Campos.

3) “Zion”   (2017 – Migrations)



Agora, temos a extremidade oposta do espectro. Uma inversão completa do meu estado de espírito do ano passado. Esta coreografia foi criada a partir da pura alegria e celebração da antecipação de acolher o meu primeiro filho neste mundo.

Embora o conceito era de uma natureza feliz, o processo de criação real para esta peça foi bastante árduo por causa do meu corpo rapidamente mudando, "cérebro da gravidez" e fadiga.  

A resposta da comunidade de dança foi tremendamente emocionante também com esta coreografia, com o público em lágrimas durante a primeira metade da peça. Ele tocou especialmente todas as mães no público e os homens também. E as mensagens que recebi on-line foram tão caloroso e emocionante.

Em relação ao figurino, eu desenhei o conceito e Jade Gibson (J3 Designs) foi capaz de trazê-lo à fruição. Costurar um traje para um corpo constantemente flutuante de uma mulher em seu terceiro trimestre de gravidez não é uma tarefa fácil. Então, "Kudos!" à Jade!


1) “The Journey” (2015 –  3rd Coast Tribal Fest // Tribal Fest)

I developed this choreography as a cathartic means to depict a long and arduous, emotional journey of self-discovery in order to overcome and work through many years of physical and emotional trauma that had occurred earlier on in my life.  So,
I had decided to share this piece (a therapeutic endeavor originally intended for my eyes only) as an open diary entry into my personal healing process translated into choreography, allowing me to share with our Tribal dance family and others the emotional journey I had embarked on over the last several years.  A journey of self-discovery, beginning to understand and embrace my TRUE SELF, my WORTH and my PURPOSE in this universe, and start to HEAL those emotional scars once buried so deep.

As for the costuming, I drew the design, which was heavily inspired by my time in Brazil and it’s natural resources, and Aline Muhana (Nataraja Designs) brought it to life.

The impact of the piece had 2 effects.  The first being a surge in interest in Hip Hop Fusion and other dancers inspired to create more experimental shapes with their bodies in floor work.  And the second was that it had encouraged other dancers to share their stories about over coming abuse both physical and emotional.

2) “Borg Queen” (2016 – 3rd Coast Tribal Fest)

The Borg Queen choreography was actually developed in quite a short amount of time, but was packed with a lot of unsaid meaning.  I had originally prepared a much more dynamic (stylization wise) Contemporary Fusion piece with a lot of floor and acro work.  

However, just 7 weeks prior to the event, I suffered from an ectopic pregnancy that had gone unnoticed and was forced to undergo emergency surgery.  I almost died due to prolonged internal bleeding after my left fallopian tube had completely ruptured due to the doctor’s negligence.  

(Side note: Ladies, YOU know your body.  If you think something is wrong, but the doctor just continues to tell you “Let’s wait and see.”, DON’T LISTEN TO THEM.)  

After 4 weeks of immense physical and emotional pain (of which I’m still coping), I managed to make it back into the studio.  I had only 3 weeks left to prepare an entirely new piece from scratch with very limited mobility.  Then it hit me, who else had limited mobility?  A robot!  Hip Hop Fusion saved the day and a character I’ve been wanting to bring to life for YEARS now, finally made her way to the forefront.  Once I decided what I was going to do, the piece pretty much wrote itself.  I was so grateful to be alive that I didn’t sweat the small stuff and second-guess a lot of the creative choices like I normally would have.  I just went with my gut.  

The emotional upheaval I was going through at the time over loosing my little “peanut” after trying for 2 years to conceive allowed me to completely let go and be free.  To be able to be a completely different character on stage was a Godsend and kept me going, giving me what I needed to get the work done until I was able to be back home and properly grieve the loss.   It took me a year, but I’m finally able to share this pain with you all in the hopes that it may provide some comfort to anyone who is going through something similar.

The impact it made on the audience was overwhelming for me.  I had received my first standing ovation from a full house.  To think I had been in a hospital bed just a few weeks prior.  You’d never had known.  I kept it a secret from everyone.  I just let go of myself and let in the character.  The piece made such an impression that, even a year later, in many circles in the dance community I am now known as The Borg Queen.  I guess it’s true what they say, “From great pain comes great art.”

The costume was made by the incomparable Aline Muhana (Nataraja Designs) of course.  She is my favorite costume designer, and as you can see from my collection of costumes, she can make much more than just ATS attire.  If you can dream it, she can make it a reality!  I absolutely love her work.  The metal gear and plastic tubing for the head piece was constructed by myself, and the makeup was completed by a body paint artist, Rudy Zanzibar Campos.

3) “Zion” (2017 - Migrations) 
Now, we have the opposite end of the spectrum; a complete reversal from my state of mind from last year.  This piece was created from pure joy and celebration of the anticipation in welcoming my first child into this world.  Although the concept was of a happy nature, the actual process of creating the piece was quite arduous due to a rapidly, ever-changing body, “pregnancy brain” and fatigue. 

The response from the dance community was tremendously humbling as well with this choreography, with the audience in tears during the first half of the piece.  It especially touched all of the mothers in the audience and even the male attendees of the show.  And the messages I received online were so heart-warming and humbling as well.

As for costuming, I came up with the design and Jade Gibson (J3 Designs) was able to bring it to fruition.  Sewing a costume for a constantly fluctuating body of a woman in her 3rd trimester of pregnancy is not an easy task.  So, “Kudos!” to Jade!

BLOG: Você esteve morando no Brasil por 4 anos. Como é o cenário da dança tribal brasileiro? Pontos positivos, negativos, repercussão por parte do público bem como pela comunidade de dança do ventre/tribal. O quê mais chama a sua atenção na cena tribal brasileira e na dança tribal dos brasileiros? | You've been living in Brazil for 4 years. How is the scene of Brazilian tribal dance? Positive points, negative, repercussions from the public and the belly dance / tribal community. What draws the most attention in the Brazilian tribal scene and tribal dance amongst Brazilians?

Refrescante. Percebi que as dançarinas brasileiras tendem a exaltar mais originalidade e uma conexão genuína (habilidade natural de transcender o sentimento) em sua dança, enquanto as dançarinas dos Estados Unidos tendem a se concentrar exclusivamente na técnica.  A técnica é obviamente um aspecto importante, porém quando não há paixão em sua dança, todo o desempenho é perdido. É também uma observação pessoal que as dançarinas brasileiras de Tribal Fusion tendem a mostrar mais de suas próprias personalidades individuais quando elas dançam contra o efeito de "cópia de carbono" que se espalhou dentro dos EUA durante os últimos 5 anos. 

Eu também notei que no Brasil há mais camaradagem entre as comunidades ATS e Tribal Fusion em vez de hospedar eventos completamente separados para cada gênero individual, o que é comum nos Estados Unidos. Além disso, os brasileiros dão maior ênfase à importância de uma base ATS antes de se aventurarem em Tribal Fusion. Este é um atributo que costumava ser reforçado nos EUA com bastante rigor. Infelizmente, hoje, fora da Califórnia, isso é uma raridade. Nos últimos anos, as dançarinas americanas com treinamento ATS anterior tem diminuído.

Outra tendência que tenho observado na cena Tribal do Brasil é o seu amor pelo Dark Fusion. Nos EUA, no entanto, diminuiu, enquanto a tendência na fusão contemporânea e moderna continua a crescer.

Refreshing.  I’ve found that Brazilian dancers tend to exude more originality and a genuine connection (natural ability to transcend feeling) in their dance, whereas dancers in the US tend to be solely focused on technique.  Though technique is obviously an important aspect, when there is no life in your dance, the entire performance is lost.  It’s also a personal observation that Brazilian Tribal Fusion dancers tend to show more of their own individual personalities when they dance as opposed to the carbon copy effect that has spread within the US during the last 5 years. 

I’ve also noticed that in Brazil there is more of a comradery between the ATS and Tribal Fusion communities versus holding completely separate events for each individual genre which you often see in the US.  In addition, Brazilians place a greater emphasis on the importance of an ATS base before venturing into Tribal Fusion.  This is an attribute which used to be upheld in the US quite stringently.  Unfortunately today, outside of California, this is a rarity.  Within the last several years, American Tribal Fusion dancers with previous ATS training has decreased.

Another trend that I’ve observed in the Brazil Tribal scene is their love of Dark Fusion. Whereas in the US, it’s been steadily disappearing as the trend in contemporary and modern Fusion is on the rise. 



BLOG: Você já esteve em vários eventos de dança do ventre e tribal, tanto no Brasil, quanto no exterior. Se você pudesse importar alguma(s) característica(s) desses eventos do Brasil para os EUA e dos EUA para o Brasil, quais seriam? | You've been in several belly dance and tribal events, both in Brazil and abroad. If you could import some characteristics of these events in Brazil to the US and from the US to Brazil, what would they be?

EUA:  Eu gostaria de ver uma integração mais completa de todos os estilos de dança do ventre (ATS, Fusion, oriental, folclore, táxi, etc) em um show versus shows separados para cada estilo.

BRASIL: Gostaria de ver mais oportunidades de treinamento para dançarinas brasileiras.

Uma possibilidade é que as escolas de dança em regiões diferentes se juntem para emitir bolsas de estudos, dando oportunidades a um grupo de alunos cada ano para estudar, a fim de pagar o seu caminho para alguns dos principais intensivos de dança nos EUA (ou seja, Tribal Massive, 8 Elements, Zoe Jake's Dance Craft). Outra opção é colaborar com organizações locais de artes ou mecenas das artes para ajudar no financiamento de um programa de bolsas de estudo.

US: I’d like to see a more complete integration of ALL belly dance styles (ATS, Fusion, oriental, folklore, am cab, etc.) in one show versus completely separate shows for each style.

Brazil: I’d like to see more major training opportunities provided for Brazilian dancers.  One possibility is for dance schools from different regions to come together to issue scholarship opportunities to a select few students per year in order to pay their way to some of the major dance intensives in the US (ie. Tribal Massive, 8 Elements, Zoe Jake’s Dance Craft). Another option is to collaborate with local arts organizations or “patrons of the arts” organizations in order to assist in funding a scholarship program.  




BLOG: Como é fazer parte de um grupo de ATS®? Qual a importância que você vê no ATS®? | How is it to be part of an ATS® group? What is the importance you see in ATS®?

Talvez seja o fato de que me envolvi mais no ATS durante meu tempo no Brasil, mas para mim, eu sinto uma camarada mais forte dentro da irmandade do ATS versus simplesmente o espectro mais amplo do Tribal em geral.  Talvez seja por causa da linguagem não verbalizada do vocabulário de ATS, onde, independentemente da região, somos capazes de iniciar uma conversa através da dança, independentemente da nossa linguagem falada.

A importância de ter uma base forte em ATS é substancial. Negligenciar a importância da base em ATS e saltar para a fusão tribal é como tentar andar antes de correr. Não só isso, mas há tantos maus hábitos que os dançarinos podem acumular quando eles ignoram os fundamentos do Tribal (ATS) que eles terão que gastar montes de tempo mais tarde na tentativa de desaprender mentalmente e dentro de sua memória muscular.

Maybe it’s the fact that I became more involved in ATS during my time in Brazil, but for me, I feel a stronger comradery within the sisterhood of ATS as opposed to the broader spectrum of Tribal in general. Perhaps this is because of the common unspoken language of ATS vocab, where regardless of region we’re able to strike up a conversation via dance no matter our spoken language.

The importance of having a strong base in ATS is substantial.  Neglecting the importance of the base in ATS and jumping to tribal fusion is like trying to walk before you run.  Not only that, but there are so many bad habits that dancers tend to accrue when skipping the essentials of Tribal (ATS) that they will then have to spend mounds of time later on trying to unlearn both mentally and within their muscle memory.

BLOG: Em 2015, você e Jhade Sharif, através do Gothla Brasil,  trouxeram pela primeira vez ao Brasil a bailarina April Rose (EUA) que ministrou o curso de nível 1 em ITS formato UNMATA.  Conte-nos um pouco sobre a experiência em trazer esta nova linguagem às brasileiras. Quais as principais diferenças e semelhanças do ITS para o ATS®? E quais diferenças e semelhanças entre o ITS e o tribal fusion? Quais dicas você daria as brasileiras para darem continuidade a esse estudo à distância? | In 2015, you brought April Rose to Brazil for the first time to teach UNMATA ITS level 1. Tell us a little about the experience in bringing this new language to Brazilians (such as receptivity, learning, positives and negatives, expectations x reality). What are the main differences and similarities (obs: costumes, steps, signs, structure, etc.) from ITS to ATS®? And what are the differences and similarities between ITS and tribal fusion? What tips would you give Brazilians to continue this study at a distance?
Fiquei tão emocionada por usar minhas conexões e recursos para trazer um estilo da "árvore de família Tribal" que eu tinha certeza que a comunidade de dança brasileira não só amaria, mas em que eles iriam prosperar.  Nesse caso, minhas expectativas encontraram minha realidade. A comunidade de dança brasileira apaixonou-se pela UNMATA ITS, e April apaixonou-se pelo Brasil.  Era um fósforo feito no céu!

Embora a composição básica seja semelhante à estrutura do ATS (utilizando um subconjunto de combos como linguagem para criar uma coreografia de improvisação), a estilização do ITS e a maioria dos movimentos são relativamente diferentes, evoluindo a partir de um subconjunto de influências estilísticas mais moderno, incluindo Hip Hop, dança polinésia, contemporâneo, etc.   Por causa disso, tem mais semelhanças estéticas com a Tribal Fusion do ATS.

Em relação ao treinamento continuado em ITS, eu sei que April viaja para a América do Sul pelo menos uma vez por ano para treinamento em pessoa. Entretanto, as dançarinas brasileiras podem continuar a trabalhar em seus drills e seu vocabulário de ITS no Datura Online, onde há uma seção inteira dedicada ao ITS.

 I was so thrilled to be able to use my connections and resources in order to bring a style from the Tribal family tree that I knew the Brazilian dance community would not only love, but in which they would thrive.  In this case, my expectations met my reality.  The Brazilian dance community fell in love with UNMATA ITS, and April fell in love with Brazil.  It was a match made in Heaven. 

Although the basic make up is similar to the structure of ATS (utilizing a subset of combos as a language to create an improvisational choreography), the stylization of ITS as well as the majority of moves are relatively different, evolving from a more modern subset of stylistic influences including Hip Hop, Polynesian dance, contemporary, etc.  Because of this, it has more aesthetic similarities to Tribal Fusion than ATS.   

As for continued training in ITS, I know that April makes her way to South America at least once a year for in-person training.  In the meantime, Brazilian dancers can continue to work on their drills and ITS vocab through Datura Online, where there’s an entire section devoted to ITS.


Continua na Parte 2 (em breve) 
Continued in Part 2 (soon)

Tradução/ Tanslation: Raphaella 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...