Gothla BR 2012 -23 de junho PARTE II:Sobre minha performance e considerações finais

***A parte I, referente ao Espetáculo Carpe Noctem II e Open Stage, encontra-se neste link.***

PARTE EMOCIONAL E PSICOLÓGICA:

Como mencionei anteriormente, dancei no Show de Abertura que é a transição, ou "intervalo", ou o "meio" entre o Open Stage e o Show principal. Por mais que eu não quisesse ficar nervosa, eu fiquei super nervosa e não conseguia controlar isso. Meu coração palpitava toda hora, comecei a ficar com medo de me dar vontade de ir ao banheiro e  até tive cãibra no pé antes de entrar.Acredita? Ou seja,sou muito ansiosa e nervosa, mesmo tentando me concentrar. Acredito que isso tudo seja por falta de oportunidade em se apresentar, pois na minha cidade quase não há eventos em que chamem bailarinas de tribal, é mais de dança do ventre, então quase não me apresento durante o ano =/ Acho que quanto mais encaramos nossos "medos" de frente, quanto mais dançarmos, mais nos familiarizaremos com o palco e sentiremos mais a vontade com essa situação, o que não anula o fato de sentirmos um nervosismo pré-apresentação...acho que isso é inevitável, pois estar diante de um público é sempre meio que assustador xD E eu sou bem tímida, acanhada, sensível e fico sem graça fácil fácil...então já viu né...tenho um treco rsrs

 Enfim, voltando(rs)...eu tinha uma margem de erro tolerável na minha apresentação, e tive que aceitar isso, pois esse ano tive muitos problemas que afetaram o meu emocional , o que me deixou meio sem vontade, ânimo, disposição em treinar minha coreografia...tinha algumas idéias soltas e tal...mas não tinha psicológico para me concentrar na criação da minha dança. E isso foi me frustrando, me deixando  meio inerte, meio triste até eu ficar muito pra baixo mesmo e desanimada com a dança no geral...até compartilhei com vocês.  O que me fez ter alguma atitude foram os comentários que algumas pessoas me deram e o apoio delas me ajudaram nisso; o meu marido me enchendo o saco que eu tinha que fazer uma coreografia para eu não me perder, para eu ficar mais tranquila e ter um "porto-seguro" se eu ficasse nervosa e me desse um branco; e assistindo aos vídeos da Ariellah do ano passado me motivou também bastante, pois amo aquelas performances dela. Então, em menos de 5 dias tive que me virar para montar a dança...e não consegui fechar a coreografia toda, tendo partes para o improviso e, portanto, para a margem de erro previsível. 

Ali estava eu...esperando a minha vez, andando de um lado a outro na cochia , enquanto o trio dos meninos tribais se apresentavam e tiravam gritos do público hehehe. Quando eu me toquei eles tinham terminado e eu não tinha me concentrado em nada..aff....foi tão rápido para mim...e quando me toquei estava no palco e minha música tocando e meu deu um branco ...e fiquei meio perdida...a sorte que minha música dava margem a algo meio assim...mas me perdi mesmo...porque esqueci o que eu tinha planejado em fazer....quando sai do "off" e fui para o modo "on" consegui pegar o embalo e relembrar os passos que tinha ensaiado.A primeira parte era para ser coreografia,mas pelo pouco tempo de ensaio que tive, acabei me esquecendo e acabou saindo improviso mesmo. A segunda parte foi a que mais estava familiarizada. E foi a única que consegui coreografar, pois era a parte que eu já tinha umas ideias soltas e daí somente as uni. A terceira parte foi improviso total e era para ser assim mesmo, devido aos detalhes na música, que me exigiria algo mais técnico e que eu não ia guardar em tão pouco tempo para o evento.

PARTE CONCEITUAL:


A minha dança foi dividida por três músicas, que representariam três momentos ou estados da minha dança. A primeira parte foi a música de um filme que gosto muito, chamado Coraline. Neste momento, eu quis representar a pureza, ingenuidade, delicadeza e imaturidade, próprias da infância. Esta fase da vida é um momento de faz de contas,onde estamos imersos no mundo da fantasia, em um mundo das maravilhas;um mundo de sonhos. Assim, o lenço branco em minha cabeça fazia essa simbologia da pureza. Sim, tinha que ser branco. Primeiro para destoar com o resto do figurino e realmente destacar para isso. Segundo, porque o branco tem todo esse significado que já mencionei. O lenço seria um objeto físico que estaria também “prendendo” a fase seguinte, que remete a descoberta da sensualidade, e isso pode ser associado a cultura do Oriente Médio. Aqui os movimentos são mais singelos, graciosos e simples

A segunda parte, como mencionei anteriormente, faz menção a descoberta da sensualidade. No final da primeira parte o lenço branco é solto da cabeça, fazendo menção a isso. É entrada a puberdade, a passagem da menina-mulher, a corrupção do lenço branco pelo vermelho se destacando(do top-corselet) e pela ludibriação. Nesta parte,os movimentos se tornam mais sensuais, com uso de charmes. Eu usei uma música do filme O Estranho mundo de Jack. Sempre pensei dançar essa música puxando para um cabaret,mas nada melhor que levar isso para a ambietanção dark.

A terceira fase é uma fase de superação e de auto-confiança. A menina tornou-se definitivamente mulher. Seus movimentos são mais complexos, impactantes,intensos e confiantes. Há revoltas, pois descobrimos que a vida não é perfeita e que estamos sempre à prova e, por isso, temos que nos superar. Eu utilizei uma música do filme O Corvo. A música tem bastantes detalhes e própria para o estilo dark fusion.


SALDO/APRENDIZADO:

Não consegui seguir as metas que tracei para o Gothla Br 2012, infelizmente. Minha vida está em uma época de muitas mudanças e não consegui me concentrar para dançar. Apesar de tudo isso, consegui encontrar uma brecha para respirar e buscar inspiração. Com esse sopro, consegui forças para montar algo. Sim, minha dança não foi como gostaria que tivesse. Ainda apresenta muitos erros, como posicionamento de braços, giros, tenho que melhorar a leitura musical,etc. Algumas coisas já melhorei bastante desde o Gothla até então. Mas apesar disso, após dançar, isso me retomou a confiança. Fiquei mais segura para dançar e consegui encarar um “medo”.

Às vezes tudo é difícil quando sua vida está tão atribulada de coisas e problemas. O desânimo toma conta de você e nem sempre temos ânimo para ensaiar o quanto gostaríamos. Falta-me tempo, espaço, dinheiro, rotina,professores. Sim, eu espero que em 2013 eu já esteja tendo aulas regulares,já que vou me mudar de cidade em breve. Chega uma hora que precisamos de ajuda, não só por termos nossas próprias limitações, mas pelo cansaço de ter que fazer tudo sozinha e pela rotina puxada.

Desde que comecei a dançar tribal, tive que me virar praticamente sozinha desde 2010, pois minha professora teve que se mudar de cidade. Tive que usar as ferramentas que estavam ao meu alcance e fazê-las úteis. Isso foi muito importante para mim. Aprendi a compor um estilo próprio, a ousar e ser criativa, através também da arte de improvisar. Porém, depois do evento, descobri o quão proveitoso pode ser a coreografia. Esse é um ponto que espero desenvolver. A pequena parte(do meio) que coreografei me chamou a atenção para isso. Quando ensaiamos uma coreografia, a dança se torna tão fluida e espontânea, que dançamos no “piloto automático”. Você pode ficar nervosa e dar uma ligeira impressão de esquecimento, mas seu corpo acaba fazendo sem você perceber. Isso aconteceu comigo e achei a experiência muito interessante. Além disso, há a possibilidade de uma melhor leitura musical, pois podemos destrinchar a música e descobrir detalhes, e isso mexe com a criatividade, tornando a dança mais diversificada. Acho que isso vai ser um bom exercício de memória também. Enfim,os dois tem pontos bons a serem aproveitados e cada um tem um momento para descobri-los. Para mim foi importante a ordem que segui.

AGRADECIMENTOS:


Da esquerda para direita: Gabriela de Lima (RS), Bruna Gomes (RS), Bety Damballah (PR), Mariáh Voltaire (PR), Alan  Keippert (RJ), Mariana Maia (SP), Zahrah Violet (SP). Aerith (RJ),Rhada Naschpitz(RJ),Caique Melo (BA) e Camila Corrêa (RJ)

Esse ano eu não pude fazer os workshops, mas fiquei bastante satisfeita com o clima de amizade no evento! O tão pouco tempo que estive conheci pessoas maravilhosas!E revi outras que tenho um carinho super especial. Peço desculpa também se não dei muita atenção a outras pessoas, eu realmente estava me sentindo meio acanhada e deslocada(até porque eu não fiz workshop algum...e muito do companherismo e amizade é criado durante as aulas, né?), às vezes fico assim quando tenho muitos problemas em mente e quando não vejo as pessoas há muito tempo, ou só conheço a pessoa pela internet...às vezes eu não sei como a pessoa vai reagir pessoalmente...então fico sem graça de ir lá falar. Sorry =/

Feliz de rever minha querida amiga Rhada! Sempre alto-astral! Sempre levantando a galera \m/

Feliz de conhecer a Lola Espinosa, que agradeço mesmo por compartilhar suas experiências e tentar me acalmar, realmente me ajudou bastante!Muito atenciosa, alegre e sincera (rs);  e rever a Yoli e Gabi(Miranda), que são umas fofas comigo^^ OBS:  Meu cinto é do Atelier Tribal Skin!*momento propaganda*

Conheci o pessoal do Damballah(PR)!! Bety e Mariáh são duas pessoas super espontâneas e amigáveis rsrs Morri de rir! Ui! Altas dicas do dark side of the harem hauahuahauhauhau Adorei conhecê-las!

Adoro as cariocas Aline Muhana, criadora da maior parte do meu figurino*momento propaganda (2)*, e Karine Xavier. Adorei rever Alish e conhecer tantas outras pessoas legais do Asmahan.

Fico feliz de poder ter trocado palavras com a Kilma Farias(PB), Karina Leiro (PE) e Rebeca Piñeiro (SP), pessoas super simpáticas e ótimas bailarinas.

Realizada por ter assistido a apresentação de uma das minhas bailarinas favoritas que é a Morgana, uma grande inspiração desde quando comecei a dançar tribal (triste por não ter feito o workshop dela u.u não me lembre disso T___T). E consegui tirar uma fotinha com ela. Super simpática e receptiva ao público! Me conquistou mais ainda *___* Come back again, pleaaase!

Obrigado Rhada Naschpitz e Jhade Sharif  pela oportunidade em dançar no show de abertura. Obrigada também quem votou em mim, né! hahaha!

Obrigada ao meu marido que me aturou e me atura nas minhas andanças xD

E obrigada a quem leu esse testamento \m/

Espero estar em 2013! Mais Ariellah e Sera Solstice! Uhuuul!


Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Thaís Cardoso (Sancta Badra)10 de setembro de 2012 11:44

    Nervosismos são absolutamente normais, Aerith! Compartilho da tese que se eles inexistissem antes das apresentações, vc perderia um bom impulso de se concentrar e se superar em espetáculos. Existe algo muito divulgado no meio artístico, principalmente em dança contemporânea, que se chama 'partitura pessoal'. Se trata de especificidades pessoas, somente tuas, onde a dança atua organicamente. Quando vc dança nesse estágio, vc percebe que um improviso pode tornar-se muito mais 'poético' do que qualquer obra coreografada! Estou escrevendo um artigo sobre, e tu será uma das primeiras a ler, pra compartilhar e dar suas impressões a respeito. Não desanime diante das dificuldades, sempre existe territórios da dança que nosso corpo ainda não pisaste!

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  2. Parabéns Aerith :D
    Muito normal esse nervosismo antes de entrar no palco. Parece que vamos desmaiar, rs.
    E parabéns pela sua performance e criatividade na ideia da coreografia. Apesar das dificuldades que você passou, o desânimo (que também é outra coisa que afeta à nós bailarinos) e cansaço, mostrou que não deixou se abater e que foi muito longe.
    Espero poder vê-la novamente e muito sucesso querida ;)
    P.S.: Thaís, se possível, me envie também o seu artigo. Gostei da temática e fiquei curioso. Rs

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  3. Oi Thaís! Obrigada por seu comentário! Fico muito honrada em poder ler seu artigo! Muito interessante essa abordagem^^ Atualmente, 90% das minhas danças são improviso. Eu raramente coreografo. Mas certamente minhas coreografias partem da liberdade do improviso também. Eu só estou interessada em poder lidar com esse novo desafio que é montar uma coreografia. Acho que pode ser proveitoso também. O improviso para mim é mais cômodo, devido ao meu cotidiano que não me deixa muito tempo para me dedicar a uma coreografia. O meu problema maior é saber lidar com o nervosismo. Isso certamente me atrapalha muito, até porque, sou tímida...então minha ansiedade aumenta bastante. Porém, estou conseguindo lidar com isso aos poucos...esse ano estou tendo mais oportunidades de me apresentar e, a cada dança, fico mais confiante e sinto minha dança ficar mais alicerçada. Se o meu nervosismo não me atrapalhar rs, concordo com vc que o improviso pode ser tão emotivo e inusitado quanto uma coreografia.

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  4. Obrigada Caique! Espero que nos encontremos sim! =) Parabéns também pela sua dança! beijosss

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  6. Show guria!!! Com certeza.. o lance é palco!! Palco é a destilaria da dança ... Lililililiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

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