[Resenhando]Sarau Dançando com as Deusas II

por Maria Badulaques




Dia 26 de abril vários “Deuses” se reuniram em um Sarau em sua reverência, projeto da dançarina Bete Medeiros, do Espaço de Danças e Vivências Bete Medeiros, o Sarau Dançando com as Deusas está em sua segunda edição e contou com fusões marcantes.

O sentimento coletivo demanda por eventos onde todos são tratados com a mesma importância, geralmente Saraus tem esse formato, o que auxilia muito na sensação de união e conexão. Independentemente da caminhada de cada um, respeitar e apoiar uns aos outros é o que nos torna uma tribo e esses componentes estavam inseridos na atmosfera do evento, animado pelos gritinhos motivacionais de Bete: “lindaaa”, “divooo”...”lilililili”...




Como dançarina o que mais me atrai na dinâmica dos Saraus é que podemos ver e ser visto,  por todos, não há camarins onde nos recolhemos a camada mais intrínseca; estar participando ativamente do evento, enquanto ele se desenvolve eis a química que agrega os pulsantes.

Foram representadas várias Deusas em fusões com base no bellydance, tribal, flamenco, danças gregas, dança clássica japonesa e um Deus, trazido pelo dançarino Marcelo Justino.

O  elenco do Sarau contou com as presenças dos dançarinos:

1- Lia Penteado -  representando  Baubo e Afrodith

2- Adriana  Giacomini - representando  Eostre

3- Elenice Madeira - representando Amaterasu

4- Rebeca Bayeh  - representando Atarsamain e Nehalennia


5- Grupo Giro Ballo (Sandra Carvalho, Maria Badulaues, Wendy Lepinsk e Virginia Fuentes) - representando  Dindymene




6- Lais Glaser - representando Daena e Moiras

7- Rosana Borini - representando Iris

8- Lola Almeida - representando Temperança

9- Gisleine Rede - representando Coré

10- Neli Freitas - representando Bastet

11- Beatriz Pivotto -  representando Moiras

12 - Claudia Generoso - representando Moiras

13- Luciana Araújo - representando Beltia

14 - Maria Badulaques - epresentando Gaya

15- Marcelo Justino - representando Horus

16- Helo Fernandes - representando Persefone

17- Bete Medeiros - representando Mãe Divina

18- Giuliana Malatesta - representando Iansa e Oxum


19- Isabella Guedes - representando Iansa e Oxum


Público e dançarinos promoveram aquilo que se espera de um evento artístico, interação. Ouvi de Carolena Nericcio (FCBD®) que sabemos que tal música funciona quando subimos no palco e as pessoas se conectam, este foi o espírito da noite: conexão.




Além das apresentações individuais, duetos e grupos, houve a benção inicial puxada por nossa anfitriã ;e houve a dança  de transformação e cura, pegando a energia do universo trazendo para  os chacras e devolvendo para a terra focalizada por Sandra Carvalho -  Gira Ballo Dança Circular.





Nas palavras de Bete Medeiros: “O Projeto Dançando com as Deusas Nasceu em 2003 quando entrei em contato com o livro "Oráculo das Deusas", e dele brotou o espetáculo "Celebrando as Deusas em 2004" .Desde então, a concepção foi sendo amadurecida e o projeto tomou forma em 2014 com o Sarau Dançando com as Deusas I. Um dos objetivos desse projeto que envolve tanto os Sarais, como os Círculo de Mulheres, é propor às mulheres dançantes (ou não), através da pesquisa e posteriormente com sua dança, reviver, relembrar e, para algumas, descobrir que todas nós viemos de uma Deusa-mãe ou Grande Deusa. Que houve uma época em que as mulheres eram detentoras do “seu poder”. A intenção é que através da dança, música, dos elementos lúdicos e, principalmente, a pesquisa, cada convidada possa (re)integrar essa “Deusa” que pulsa dentro de cada mulher. Que cada “mulher Dançante” percorra sua própria jornada para (re)encontrá-la e que a dança/música/licença poética sejam mais alguns de tantos instrumentos e veículos para percorrer essa jornada. O intuito é que, ao fazer tal pesquisa, esse véu que encobre esse “mundo das Deusas” fosse sendo retirado ou desvendado e que aquele “vazio” fosse sendo preenchido de forma lenta e apreciativa. De tal forma que a própria Deusa/deidade escolhida para ser dançada ou homenageada, fizesse sua parte de inspirar a Mulher Dançante e “agir” nela e na sua dança, podendo assim a Mulher dançante fazer (re) descobertas de si, de sua dança, de suas capacidades criativas, físicas e por  que não, espirituais também.”




“Foi levado ao grupo várias opções de Deusas para serem homenageadas, assim que foram apresentadas, indicando a qual panteão pertenciam, todas nos encantaram, no entanto, o papel  de Dindymene caiu em espiral no centro da roda, assim entendemos que ela tinha nos escolhido. Tão forte presença nos fez levar uma dança ao encontro e reverência a nós mesmas e a todo universo.  Dançando com as Deusas em sua segunda edição reafirmou em cada uma o resgate do sagrado feminino incorporando a própria Deusa, lembrando que todas as Deusas são A DEUSA. Agradecemos a nossa diva Bete Medeiros por mais esse encontro.”
(Sandra Carvalho – Gira Ballo)

O processo de criação dessa dança foi ao mesmo tempo fluida e complexa. A deusa foi escolhida após pesquisa, e gostei muito de seu significado. Naturalmente, as ideias foram surgindo (como para dançar no sarau passado). Ao ouvir a música já sabia que seria aquela, apesar de terem aparecido outras canções, acabei escolhendo pela primeira opção. Entretanto, foi um processo complexo, principalmente a coreografia. Eu tinha a noção dos passos e sequências que gostaria de executar, mas não conseguia unir tudo. Poucos dias antes do evento que as coisas fluíram, acho que rolou uma conexão com a Deusa, e surgiu uma proposta mais dramática/ teatral que foi a minha parte preferida na apresentação. Criar e dançar entre amigas é algo delicioso e muito construtivo. Eu e as meninas tivemos longas conversas via WhatsApp e nos encontramos algumas vezes. O mais interessante durante todo o processo é como foi algo democrático, participativo e cada detalhe tem um pouquinho de cada uma de nós. Após a escolha da música, a coreografia foi surgindo e o mais gostoso ao apresentá-la foi se divertir; como foi! Muito boa vibração, dançamos com as Moiras! A princípio fiquei em dúvida sobre o que viria a ser o Sarau, uma vez que a proposta mudou um pouco e trouxe novas pessoas, de fora o círculo de dança que convivemos. Mas, ao final do evento, tenho que dizer que foi um experiência ótima, mulheres lindas, numa vibração muito boa e que dançaram muito! O mais interessante foi o contato com outros "estilos" de dança e com criações tão únicas e inspiradoras!
Obrigada pela oportunidade e pelo carinho de sempre! ” 

(Lais Glaser – Daena e Moiras)

“Este Sarau foi um marco importantíssimo na minha jornada como bailarina-artista. Minha esperança na arte e na energia colaborativa das pessoas foi reanimada. Todas as pessoas estavam se ajudando e se respeitando e o evento já valeria a pena apenas por isso. Mas não foi só isso, dançar foi uma experiência transcendental. Nunca me senti tão à vontade e livre no palco para me expressar, para ser eu mesma, sem medo de me entregar e sem medo de ser julgada.  O exercício de trabalhar as deusas foi extremamente lúdico e criativo, e importante para despertar em cada uma das pessoas participantes faces ocultas de si mesma. Assistir aos demais participantes foi totalmente inspirador e emocionante. Sinto-me totalmente alimentada e energizada, e satisfeita por ter contribuído para que o evento fosse tão gostoso e leve. Gratidão por tudo que pude vivenciar e ainda estou vivenciando como eco do que se passou domingo." 
(Rebeca Bayeh - Atarsamain e Nehalennia)

“Adorei participar do 2º Sarau, o clima estava muito agradável e mágico.  Conforme eu comentei com você nos corredores, eu tive uma sensação muito agradável de muita paz na coreografia da Neli, Bastet, deusa dos gatos.  As meninas e o menino novamente encorporaram as Deusas e Deuses.  Meu pai se encantou, achou o evento muito profissional.”  
(Luciana  Araujo - dançou como a Deusa Beltia)




“Foi muito especial dançar com Amaterasu, pois pude honrar meus antepassados e especificamente minha mãe (inclusive o quimono que vesti na apresentação foi costurado por minha mãe para o meu casamento). Não tive muito tempo para desenvolver a coreografia, mas, incrivelmente, em dois dias que me dediquei a isso, os passos fluíram. Mas o preparo, é claro, iniciou bem antes, ouvindo muito a música escolhida (que segundo minha filha parecia uma música japonesa, embora fosse árabe) e assistindo a vídeos de dançarinas japonesas (o que foi muito bom para me reconectar à cultura japonesa). Na apresentação, como sempre deu um friozinho na barriga, mas senti leveza e muita alegria em estar no Sarau e compartilhar meus sentimentos através da dança. Onde é possível termos uma oportunidade como essa? Só nos Saraus da Bete! Meus convidados elogiaram muito o evento, da dança à organização. Obrigada, Bete! Deus a ilumine sempre! "
(Elenice Madeira - Amaterasu)

“Foi uma experiência muito gratificante participar do II Sarau Dançando com as Deusas. A energia de todos ali presentes proporcionou a cada uma de nós um momento único, de gratidão e de reafirmação ao amor pela dança e pela arte. Agradecemos a oportunidade de participar desse evento e desejamos que essa energia, que foi criada durante o Sarau, mantenha-se viva dentro de cada um que participou daquela noite. Parabéns pelo lindo evento, Bete.” 
(Isabella Guedes - dançou como Iansã e Oxum)

“Eu adorei participar. Você e seu evento foram muito acolhedores, assim como as pessoas que dançaram. Foi muito bom dançar, trazer a deusa do renascimento pra todos. Adorei tudo e me senti muito feliz! Pretendo sim estar no próximo!! Grata e Beijos.”
 (Adriana Giacomini - Eostre)



“Gaya me escolheu e aceitei honrada seu convite! Música, figurino, expressão cênica...Tudo foi idealizado com a intenção de trazer Gaya ao palco e honrá-la. A natureza é  onde tiramos forças para tudo, nos recompomos e reequilibramos; liberdade, eis o presente que me foi ofertado.” 
(Maria Badulaques -  Gaya)

O  Sarau deixa saudade, contudo, nova data já foi agendada para nos reencontrarmos com nossa essência e componentes divinos.

Até o próximo encontro, xeros no pulsante!






Ficha Técnica:
Organização e concepção do tema: 
Bete Medeiros do Espaço Bete Medeiros
Local: Instituto Akhanda
Apresentadora: Pamela Felipe
DJ: Ricardo Madeira
Iluminação: José do Carmo Ramos
Fotos: Eduardo Verissimo

Filmagem Profissional: Juliana Dias





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