[Resenhando Internacional] A intensa experiência do “The 8 Elements Approach to Bellydance, a Rachel Brice's Dance Program” – Parte 2

por Mimi Coelho

Fase 2: O Cultivo

Após vivenciar a experiência singular que a fase 1 deste programa nos proporciona, os estudantes de dança entendem a proposta do 8 Elements. Mais do que ensinar passos técnicos e o estilo próprio da dançarina Rachel Brice, há o objetivo de se instigar a criação do artista único e completo, ou seja, o melhor que o aluno pode ser no momento enquanto investigador, estudioso, praticante, performer, criador, curioso e eterno iniciante no mundo da arte. Esta alma de iniciante afasta o ego excessivo e nos apresenta constantemente o vasto mundo de conhecimentos que temos à frente para se aprender. A grande verdade é que quanto mais estudamos, maior o nosso entendimento de que o estudo deve ser contínuo, pois nunca conseguimos alcançar todo o conhecimento em torno de um assunto específico. Rachel Brice não só estimula esta postura como a demonstra de maneira admirável. É possível notar o quanto ela se dedica aos estudos em geral através das tantas fontes que nos apresenta. São inúmeras indicações preciosas de leituras (livros, blogs, artigos), vídeos, obras de artes plásticas, artistas, culturas e etnias, profissionais fora do mundo da arte, dentre outros. Fica difícil imaginar como ela consegue tempo, disposição e perseverança para tamanha pesquisa e dedicação. Como tudo, isto também nos é ensinado no programa.

The 8 Elements Cultivation, Phase II -Acervo Pessoal

A phase II, Cultivation, é o momento do “plantar” do talento que se objetiva crescer. O instante em que cultivamos através dos 8 elementos a base para a constituição deste artista dançarino e compositor de dança. Já antes do início do curso trazemos na bagagem algumas leituras obrigatórias, um histórico de prática (alguns passos específicos que compõem o vocabulário Datura e padrões de toque de zils) e homework escrito como preparação prévia para uma experiência novamente intensa, difícil e única. Desde esta preparação entendemos que nossos limites estão sendo testados, forçados e ampliados, sempre de forma positiva, o que nos é ensinado desde o primeiro dia do Initiation, já que é a única maneira em que nosso cérebro responde eficientemente. Tal postura também facilita a construção de novos hábitos de prática e a persistência nos mesmos, o que representa o que chamamos de “deep practice” (prática profunda ou intensa). A “deep practice” atua diretamente em nossos limites de dificuldades, naqueles pontos em que as frustrações aparecem diante de um resultado não alcançado e que nos requer muita força de vontade para seguir treinando e praticando. Outra das muitas grandes mudanças que o 8 Elements proporciona aos seus praticantes é que aprendemos a amar o processo de aprendizado mais do que os próprios resultados, o que nos torna “amantes das falhas”, uma vez que delas surgem as maiores surpresas de superação e criação de conhecimento, sem contar as inúmeras possibilidades de inovações em método e arte. E não há nada mais gratificante do que superar suas dificuldades (e falhas pela trajetória) e ampliar seus limites após um período de “deep practice”.

A experiência continuava intensa, transformadora e deixando aquele gostinho delicioso de quero mais. Deixei Portland mais uma vez deslumbrada e enriquecida, mas dessa vez com um dever de casa que exigia um pouco mais de mim: aprender a errar. Ainda no caminho, mas hoje, certamente, infinitamente mais perto do que ontem.


The 8 Elements Cultivation, Phase II -Acervo Pessoal






[1] Para maiores detalhes sobre o programa, descrição das fases que o compõe, lista dos praticantes e professores e datas dos próximos cursos acesse o site http://www.rachelbrice.com/about8elements/.


Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...