[Organizando a Tribo] Elaboração de Projetos Culturais na Dança

por Melissa Souza

Quem convive comigo já me ouviu dizendo mais de uma vez: “dá gosto ler um release bem escrito!”. Eu escrevi sobre release artístico aqui para o blog em 2016 [http://aerithtribalfusion.blogspot.com/2016/05/organizando-tribo-release-artistico.html] e torno a falar desse assunto agora por um motivo especial: estou participando da produção da 4ª edição da Entre Mundos, feira cultural da Idade Antiga e Medieval, que acontecerá neste ano de 2018, em 27 de Outubro, no clube da Cica, em Várzea Paulista, interior de São Paulo. Dentre minhas funções está auxiliar no recebimento das inscrições, organizar as publicações nas mídias sociais e assessorar os participantes no dia do evento. E estou adorando fazer parte de tudo isso e acompanhar de perto o processo de produção deste evento que participo desde 2013!

Eu e meu namorido, Everton Souza, na edição de 2014 da Entre Mundos

Nas duas primeiras edições participei apenas como visitante, na terceira tive o prazer de ir não somente para dançar como também para organizar as intervenções de dança no ritual de fogo e entre as bandas de folk metal, entre 22h e 04h (tem resenha aqui no blog: http://aerithtribalfusion.blogspot.com/2016/11/resenhando-sp-feira-medieval-entre.html). Foi após este episódio que comecei a propor intervenções de dança tribal em festivais de música e cultura alternativa, o que me levou a participar de eventos como o Mundo de Oz, Gaia Connection e Santa Liberdade. A Carla Mirela, idealizadora da Entre Mundos, também administra o Mausoléu Pub e, após nos conhecermos melhor, também tive abertura para organizar haflas no local em 2017 (http://aerithtribalfusion.blogspot.com/2017/03/resenhando-sp-hafla-tribal.html).

Intervenção no Ritual de Fogo da III Entre Mundos (2016)

Para que tudo isso fosse possível, eu precisei escrever, e muito, sobre a minha proposta com a dança, apresentar fotos, vídeos, referências de publicações na imprensa e links externos. Nem todo produtor tem um canal de recebimento desses arquivos, normalmente as inscrições são feitas apenas por e-mail, então eu organizava a apresentação no corpo do mesmo, em Word ou em PowerPoint - este último, para mim, foi o melhor formato até então. Para a Entre Mundos havia um formulário em Word, e eu sugeri de criarmos esse formulário com o Google Docs, mas fiquei surpresa com a criatividade dos proponentes, que enviaram apresentações até mesmo em vídeo e slideshow. O que quero dizer é que, não importa o formato, o tipo de mídia utilizado, desde que as informações cheguem até os produtores com facilidade, claro e conciso o suficiente para convencê-los da nossa proposta.

Oficina de Dança Tribal no festival Mundo de Oz (2017), oferecida em parceria com Kayra Bach

Com um release bem escrito, conseguimos visualizar a dança acontecendo, para isso necessita descrição não só da dança, como do figurino utilizado, da música, do objetivo que se quer alcançar com a apresentação - para divertir, emocionar, impactar. Se há interação com o público; a dinâmica da coreografia, principalmente se é algo em grupo: tudo é relevante. Infelizmente, muitas propostas foram recusadas por conta da falta de informações e clareza da mesma. Claro que, quando se trata de contatos pessoais dos produtores, é muito mais fácil de incluir num evento - muitos festivais só consegui entrar por conta de conhecer uma pessoa que conhece outra e enfim, por isso as parcerias são tão importantes no meio artístico. Mas não se trata de uma “panelinha”, os produtores realmente anseiam em ver coisas novas e diferentes, e muitos patrocinadores tem interesse em apoiar projetos e eventos condizentes com os seus ideais. É gratificante!

Esse é um dos motivos da Feira Entre Mundos destinar 20% da receita para a Associação Mata Ciliar, em pró dos animais e meio ambiente. A Feira também oferece uma meia entrada promocional em troca de doações para a entidade beneficiada. Além de ajudar a associação, o que vai de acordo com o propósito do evento, a ação também atrai o apoio de muitas organizações, públicas e privadas, como a secretaria de meio ambiente e a participação de artistas que dispensam ou minimizam o cachê em favor dos ideais do evento. Tenho aprendido muito sobre produção colaborativa e espero poder utilizar toda essa bagagem em um evento futuro de dança.

O extinto portal Tribal Archive prestava apoio de mídia à cena tribal nacional e também recebia o apoio e patrocínio de colaboradores e empreendedores da área

Seja com a intenção de dançar, elaborar um projeto artístico ou produzir um evento cultural e assumir esse papel de curador, passamos por etapas similares de planejamento, são elas:

1- Título e apresentação;
2 - Justificativa, metas e objetivos;
3- Cronogramas de pré-produção, produção e pós-produção;
4- Orçamentos - previsão/expectativas e resultados; bem como fontes de captação de recursos, parcerias e patrocínios;
5- Planejamento de marketing, publicidade, mídias e imprensa...

Dentre outros aspectos que variam de acordo com o projeto. Ao pensar o conteúdo das suas aulas de dança para elaborar um workshop temático ou curso modular, por exemplo, passamos por esse procedimento, seja por escrito ou apenas pensado. Os eventos sazonais de uma escola de dança, bem como os festivais e participações em mostras municipais e organizadas por terceiros tem uma finalidade maior, seja para os alunos adquirem experiência de apresentações, como atrair mais alunos para a escola ou apenas desenvolver um relacionamento com o público nas mídias sociais. Por qual motivo acompanhamos escolas e produções de eventos pelas mídias sem a expectativa de fazer aulas ou participar dos mesmos? Temos essa afinidade com a instituição como um todo ou a temos como um referencial em nosso trabalho diário, algo que almejamos.

Dei início à produção de projetos em 2015, após ouvir alguns podcasts da Sala de Dança e ter a experiência gratificante de participar do Curso de Formação com a Joline Andrade, aprendi muita coisa na prática, com tentativa e erro, mas também tive aulas focadas em marketing, planejamento, técnicas de pesquisa e elaboração de projetos ao longo do curso de Comunicação Social e, em 2017, tive o prazer de participar de um workshop com carga horária total de 6 horas focado em elaboração de projetos, ministrado pela Profª Drª Isaria Maria Garcia de Oliveira, que atua na área de produção de espetáculos de dança e festivais de música. Neste workshop ela ressaltou, dentre outras coisas, a necessidade de avaliar a probabilidade de um projeto de acordo com a relevância social, acessibilidade e antecedentes; investir na capacitação dos mediadores e mensurar os resultados através de pesquisas quantitativas e qualitativas (saiba mais em meu blog pessoal http://blog.melissa.art.br/2017/10/elaboracao-de-projetos-culturais.html).

O 2º ano do Projeto Vídeo & Dança foi realizado em parceria com a Dayeah Khalil, organizadora do Tribal Beach Festival e contou com a participação especial da percussionista Nanda Rodrigues

Para complementar, em abril de 2018, assisti também uma palestra sobre dança empreendedora promovida pelo Sebrae de Tatuapé-SP, com a participação de Octávio Nassur, produtor cultural na agência Dance & Concept e coordenador do MBA em Dança, Gestão e Produção Cultural da faculdade Inspirar, de Curitiba-PR (https://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/divulguese/119/danca-empreendedora/17561). Apesar de ser voltado para proprietárias de escolas de dança, o palestrante tem uma grande bagagem em administração, elaboração de projetos e agenciamento de artistas e transmitiu muito da sua experiência ao público presente.

O curso de ritmos com a Nanda Rodrigues foi um dos projetos pensados para a escola Portal do Egito®, em Jundiaí-SP. O espaço também recebeu os encontros Mulheres que Dançam com a participação de instrutoras convidadas como a Andreia Elektra (Campinas-SP) e a Samaa Hamra (Santos-SP) trazendo temáticas especiais (Artes Sensuais e Dança Meditativa, respectivamente).

Em resumo: estudar, participar de workshops e assistir palestras na área de produção cultural, administração e comunicação é importante para quem deseja trabalhar com a dança e ter a dança como um negócio, seja como performer, instrutor, produtor ou gestor na área, mas por mais que estudemos, é na prática que vamos experimentar o que funciona e o que não funciona. Acredito que cada experiência que tive de 2015 para cá contribuiu para eu encontrar o meu verdadeiro propósito com a dança e espero conseguir transmitir um pouco disso tudo com vocês, trazendo mais conteúdo acerca do assunto com a minha coluna regular aqui no blog, de acordo também com o feedback de vocês.



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